03 janeiro 2013

Resenha - A Esperança

"Depois dos dois ótimos primeiros capítulos de uma trilogia fascinante, um pequeno deslize da autora, que mesmo assim não deixa de entregar um livro interessante."

Antes de começar a resenha falando sobre o livro, tenho que explicar algumas coisas antes:
- Sim, depois da primeira vez que li o livro eu não havia gostado muito dele. Uma resenha, porém, antes de ser escrita deve considerar muito mais os aspectos do livro, sua forma de ser escrita, suas passagens, sua construção, do que a opinião pessoal de quem vai falar sobre a obra. Já havia lido o livros três vezes, mas antes de escrever essa resenha, fiz questão de lê-lo mais uma vez, dessa vez totalmente imparcial ao sentimento de afeição aos personagens e à minha primeira opinião.

Dito isso, vamos em frente: Tia Collins criou um universo repleto de simbologia, um universo com uma mitologia riquíssima e teve que destruí-lo por completo para que a escrita de "A Esperança" fosse possível. Nesse terceiro capítulo, vemos uma obra muito mais séria, mais sombria, até um pouco mais indigesta do que os dois primeiros volumes. Collins que sempre escreveu essa trilogia de uma forma incrivelmente dura, mostra um lado muito mais obscuro nessa última parte. As passagens são pesadas, de uma simbologia ímpar, onde cada detalhe, cada palavra faz parte de um quebra-cabeça muito maior, que só se resolve, com todas as peças encaixadas, no última capítulo do livro.

Mesmo assim, Collins comete alguns pequenos erros durante sua narrativa: algumas passagens são absolutamente longas, mais do que deveriam ser, e atrasam o ritmo em que a estória é contada. A revolução, realmente, só acontece após metade do livro e a partir daí tudo acontece muito rápido, em uma tentativa de tentar compensar o tempo perdido no começo.

O título do livro sofreu nas mãos da tradução, já que mesmo sendo chamado de A Esperança, esperança é uma das últimas coisas que você encontra nele. O título original, Mockingjay, é a palavra inglesa para se referir ao tordo, animal que simboliza Katniss, o principal nome da guerra. Até mesmo o título em Portugal (A Revolução) soa mais apropriado.

Muitos leitores haviam mostrado indignação com a forma com que "A Esperança'' foi finalizado, talvez por estarem mais acostumados com narrativas com finais felizes, príncipes encantados, com casais apaixonados, vampiros e lobisomens, jovens milionários e sadomasoquistas, que sempre se dão bem ao final. "A Esperança", no entanto, foge dessa temática para não ser comparada com milhares de outros contos que existem no mercado. Collins quer mostrar que a vida não é fácil e muito menos justa para a maioria das pessoas (aliás, essa foi a temática com que ela trabalhou, também, nas outras duas partes da trilogia).

Com escrita sombria e difícil, características fortes e com desfechos, que fogem do convencional, para os personagens esse, talvez seja o mais adulto do livros dessa saga para jovens. E por querer mostrar coisas que a maioria das pessoas que vivem em um mundinho cor-de-rosa não quer ver, o resultado do encontro entre "A Esperança" e essas pessoas pode não ser o mais positivo possível.

2 comentários:

Luiza Helena Vieira disse...

De esperança, esse livro não tem nada.
Não tenho nada contra o final do livro mas, só achei que depois do BOOM (quem leu sabe o que estou falando), tudo ficou meio monótono e perdido. Parecia que a Suzanne já estava era cansada de escrever e resolveu bagunçar geral.

Luiza Helena Vieira
Obsession Valley

Jeferson Rodrigues disse...

Foi como eu disse: Collins demorou muitos capítulos para fazer a rebelião acontecer. Ela perdeu muito tempo com a história de gravar pronts da Katniss. Quando a revolução começou tudo aconteceu muito rápido e o final teve que se adequar em apenas 10 páginas o que deixou uma sensação de coisa incompleta.